Filipa-O meu mundo

Mostra que consegues ser um detective e investiga este blog de uma ponta á outra!

Saturday, December 30, 2006

Feliz Natal a todos !!!!
Queridos amigos, esta é a ultima vez que aqui escrevo antes do
ano novo e por isso resolvi deixar-vos aqui algumas imagens animadas que podem usar para alegrar os vossos blogs e tambem vim
dezejar a todos um óptimo Natal com muito amor, alegria e ... presentes, claro!
Hoje resolvi roubar ... não, não! Que palavra feia! Tirar... assim está melhor. Vou começar de novo: Hoje resolvi tirar uma história á minha professora ( desculpe professora Teresa mas não consegui resistir ... ) e portanto aqui está:


O Gaspar é um cão pachorrento e meigo. Pesa muitos quilos mas não sabe. Porque os cães não percebem nada dessas coisas de balanças e medidas. O problema é que, por causa disso, e por causa de nós nem sempre entendermos muito bem as palavras dos olhos deles, podem acontecer coisas estranhas. Por sorte, ofereceram-me um dicionário de olhar-palavras (eu nem sabia que existia um).
Oh Gaspar! Agora já percebi!

O Cão que queria ser Gato


Lá em casa havia três gatos e um cão.
Três gatos levezinhos, cada um de sua cor, que se moviam de um lado para o outro quase, quase sem se dar por nada. Trepavam às bancadas da cozinha só por distracção, para fazer exercício, ou para comer quando a fome aparecia a dizer olá nas suas barrigas.
O Horácio era um senhor, cheio de humores. Para os da casa não havia surpresas, só mimos, para as visitas... dependia da disposição do dia.
A Chica era uma princesa tímida... nem se via. Para os da casa, tudo. Para as visitas, quase nada! A verdade é que tinha as suas razões, e como não são umas razões coloridas, não me apetece falar delas agora.
O Pestinha... bem... era um verdadeiro pestinha. Para os da casa, partir o que se podia, por entre brincadeiras e saltos. Para as visitas, abraços e trincas. Olhava para todos como se não estivesse a olhar para ninguém e o seu olho azul ria-se a toda a hora.
A vantagem de ser gato é, sobretudo, pesar pouco e ter o pêlo muito muito macio. É uma combinação infalível para ocupar, sem pedir licença, todos os colos possíveis. Todos os pretextos são bons: a casa de banho (sentamo-nos e eles chegam), a televisão (sentamos-nos e eles não se importam com o programa que escolhemos), a cama (bem... é tudo tão fofo e quente numa cama que o colo nem faz muita falta...).
Por tudo isto, e juntando algumas horas de liberdade num jardim, os gatos parecem sempre felizes e em paz. Pedem pouco, e quando o fazem não é bem um pedido, é mais uma exigência. Geralmente a resposta é sim, até porque há miados que não apetece ouvir por mais de cinco minutos...
E então o cão?
Não foi esquecido.
O Gaspar tinha daqueles olhos castanhos que habitualmente dizemos serem meigos e doces. Ou era isso que parecia. A mim sempre me pareceu ver lá mais qualquer coisa, mas não sabia muito bem o quê. Às vezes parecia uma pergunta, outras um lamento. Em certos momentos parecia uma lágrima, um cinzento escondido dentro do castanho. Isso acontecia muito quando tentava trepar por nós acima como se pretendesse ir discretamente, sem repararmos, até ao nosso colo e lá se aninhar perdido para dormir e nós lhe explicávamos com muitas palavras que não podia ser, que ele era muito grande, muito pesado, muito comprido, que não cabia, que não aguentávamos com o peso... Quando a insistência era maior, o último recurso era dizer bem alto e com um ar zangado: P’ró chão! P’ra baixo! Não salta! E ele ia. E ele parava. Deitava-se, punha a cabeça entre as patas da frente e ficava a olhar. Percebi depois que ele não ficava a olhar, ficava a pensar, a falar, a dizer coisas. Era nesses momentos que os olhos pareciam ter mais qualquer cor lá dentro.
O Gaspar via os gatos a subir para os colos da casa e não entendia a diferença. Penso até que durante muito tempo acreditou que gostavam mais dos gatos do que dele e pronto, não havia remédio para tudo o que sentia. Deixou de acreditar nisso, porque afinal de contas era muito mimado, faziam-lhe muitas festas e, na verdade, num dia em que havia ficado sozinho em casa tentou saltar para a bancada da cozinha atrás do Pestinha, mas não conseguiu. Percebeu então que devia haver uma diferença, mas não entendia qual. Estaria gordo de mais? Precisaria de fazer uma dieta? Gostando de comer como gostava, foi coisa que nem lhe passou pela cabeça. Queria um colo, pois queria, mas um sacrifício desses tornava o colo ainda mais distante! Nunca conseguiria recusar a comida que lhe davam... Ou seria outra a razão? O que tinham as outras patas da casa, que ele não tinha, que lhes permitia passar o dia mais perto do céu, deixando-lhe a ele apenas o chão, o cesto, os pés?
Foi sorte eu ter percebido. E quando percebi, chamei-o à parte e expliquei-lhe tudo. Que ele era um cão, lindo, grande, comprido, pesado, único e os outros eram gatos, uma coisa muito diferente. Perguntou-me o que era um cão, o que era um gato e eu lá lhe tentei explicar que um cão era uma espécie de coração grande, bom e altruísta, em quem se podia confiar, uma prenda do céu para nós, mas que tinha de viver mais perto do chão vigiando os nossos passos, ajudando-nos em todos os momentos. E depois disse que um gato era assim uma espécie de quase-pássaro, sem asas, sempre a ver se chegava mais alto, que fingia não se importar com nada, embora se preocupasse com tudo, para que ninguém o aborrecesse muito. Uma espécie de gafanhoto com pêlos que adorava saltar, fugir, brincar!
Foi asneira.
Tive de ouvi-lo a chorar por muito tempo lamentando a sua sorte de cão sem patas de gafanhoto ou quase-asas, feito cobra rastejante. Cão ainda por cima dos grandes (ele sabia que havia uns pequeninos que eram quase-gatos) e comprido, que não cabia no colo de ninguém. Por entre os lamentos que ninguém ouvia, só eu, sussurrava que queria ser um gato, era só isso que queria, queria um colo, um céu só para ele, um armário alto para dormir.
Como se resolve uma coisa assim? Não se resolve.
Era preciso que voltasse a gostar de ser cão e dos grandes. Que percebesse que a diferença tinha lá dentro coisas boas para ele que os gatos também sonhavam e não tinham.
Rebolei com ele pela relva do jardim. Pelo chão da casa. Abracei-o. Deitei a minha cabeça em cima do corpo dele. “Tu és o meu colo” disse-lhe. “Só tu tens tamanho para isso”. A seguir levei-o à praia e mergulhámos os dois debaixo das ondas frias, corremos até cair na areia quente atrás de bolas que umas vezes havia e outras não. Não havia gatos por perto. Mas havia outros cães. E ele percebeu.
Os gatos lamentam o medo que têm da água. Não falam disso muitas vezes, mas é uma mágoa que os aflige nos dias de calor, sobretudo quando a casa se esvazia e quem lá mora regressa cheio de areia nos pés e de sal no corpo.
Acho que o Inverno este ano foi longo e as memórias do Verão passado apagaram-se dentro do Gaspar. Choveu muito, saímos pouco. Trabalhei demais. Às vezes o tempo passa muito depressa e não damos pelo caminho. Não damos pelos olhos dele. Os olhos do caminho são para ser olhados de frente, todos os dias.
Olho mais vezes para os olhos do caminho agora. Para os do Gaspar também.
Ultimamente é só mesmo um castanho doce e meigo o que vejo dentro deles. Uma paz contente, às vezes cortada por um olhar discreto, mas cheio de palavras, dirigido ao gato aninhado no meu colo: “Deixa-te estar aí. Quando ela estiver cansada, é no meu que se vai aninhar... e depois há o Verão, a praia... uma coisa cheia de um céu de água chamado mar, uma luz quente, colos de areia, asas frescas e voos longos que tu nunca vais saber o que é, nem eu te consigo explicar!”


História retirada do site: www.saborsaber.com. Autora: Teresa Martinho Marques.

Monday, December 18, 2006

Já conhessem o blog do meu maninho? É muito divertido e está a precisa de comentários!
Beijinhos,
Filipa